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  • Onair Nunes

A LEI DO RETORNO


O verdadeiro sentido do mundo, da vida, é definido pelas leis naturais, pela complementaridade dos opostos. O amanhecer, o anoitecer; o Sol, a luz, a Lua, pelas trevas; o homem, a mulher; o nada, o quark; o caos, a ordem. O Universo é produto da ação de teses, não de antíteses, da ordem se sobrepondo ao caos, o existencial tortuoso, o mal, a desordem, sempre à espreita, o caos e o mal a se quererem um processo, não são; oportunistas antes de qualquer coisa, formam pano de fundo para a inviabilidade, são estéreis. O mal não existe como elemento constitutivo da Natureza, enquanto o bem, consubstanciado na ordem, constitui a tessitura conectiva do todo universal, sua organização, a contextura que lhe dá sentido ao acomodar nas leis naturais o desejável, o bom. É nessa urdidura que se equilibra a ordem universal. Assim, tudo o que é antinatural é anormal; as anomalias não fazem a regra, não são a regra, formam um universo à parte. Pois que lá fiquem.

Estamos vivendo o caos, vivenciando o mal numa pregação anômala que não segue ou observa as regras naturais do desenvolvimento vital. Pela ação dos seus profetas, dos seus sacerdotes. É antinatural, insano. Os discursos mais ferozes impactam num primeiro momento, quando se está no meio do nada ou quando não se sabe reconhecer e apreender a essência das coisas, sua organicidade a conceber a mais ampla visão de mundo. Para dar-se sentido à vida há de o coletivo prevalecer a indivíduos, a grupos. Está na Sociedade a urdidura do coletivo, sem graus, sem níveis separatistas que a desmereçam. Questão de tempo, invariavelmente chega o momento em que, confrontados os desníveis pelo que há de mais grandioso, a igualdade se manifesta, porque somos todos filhos do mesmo pai, o Cosmo, da mesma mãe, a energia. A empáfia, a pose, o desdém, a presunção, a hipocrisia, a mentira perdem a aura artificiosa de superioridade.

É tempo de eleições; o voto da empáfia, da pose, do desdém, da presunção, da hipocrisia, da mentira vale tanto quanto o voto daquele desprezado, esquecido e longínquo cidadão, convertido pela organicidade social no árbitro a quem se “esqueceram” de perguntar se concordava com aventuras, desmanches, retrocessos, entreguismo e desordem. Não, não concordava, assim é que desaprovou e desaprova maciçamente os seus agentes. Mas teve a paciência do sábio, a persistência dos fortes, a esperança do justo. Chegou a sua hora.

Se inventarem novidades naquilo a que se cozinha na chama da desinformação, no calor da manipulação, no fogo da indução em erro para afastar os efeitos da primeira, surgida no momento em que as aves de rapina ainda pensavam voar em céu de nuvens favoráveis, cambiáveis e cambiantes para lá dos espaços mais distantes, terá de haver, para garantia da credibilidade, o desempate, com patrocínios isentos e com visão de conjunto. 37% (trinta e sete por cento), no cotejo com os 17% (dezessete por cento) apurados, não desafiam reparos, a distância, na hipótese, é abissal. E na ordem em que as coisas se colocaram, não mais importa fisicamente a figura central, que paira sobre toda a infecunda atividade eleitoral, eleitoreira, em curso; quem quer a substitua será projeção da sombra que, de algum lugar, propiciará a quem não foi perguntado, àquele que teve a paciência do sábio, a persistência dos fortes e a esperança do justo, dar a palavra final.

O candidato ausente continua ausente, seu discurso, desconexo, é monocórdico, repetitivo, violento, antinatural, por isso estéril. Pela ordem natural das coisas não irá longe. O outro bate na tecla dos que não se revelam porque a sua formação nada reserva de bom para os desfavorecidos, a mesma escola, as mesmas regras estafadas, fala em Educação em tempo integral, um lanche, um almoço, esporte, acena, ingrato desiderato, para a necessidade, por que não dizer para a fome dos desassistidos, que logo esquecerá nem bem a última palavra da frase termine de ser articulada. Por que confiar em que o desastre trazido para o país possa ser reparado por quem não soube ou não quis acabar com as enchentes assassinas e destruidoras do seu próprio Estado, da sua capital regional? Ah, meu caro senhor, os sábios, os fortes e os justos já ouviram tanto isso, estão cansados, tão cansados disso, que tudo ficou insosso, inodoro, incolor, ademais do seu Partido ter uma conta enorme com eles, que inflexível e certamente será cobrada nas eleições de Outubro. De tão extenuados, exauridos, já não conseguirão sequer deixar-se enganar. Aquele outro senhor elitizado que foi convidado, segundo a propaganda, por capitais externos para administrá-los não se ajusta ao quadro; os sábios, os fortes e os justos não querem ninguém para administrar um banco, precisam de alguém para recuperar o país, tarefa árdua para a qual a lógica do banqueiro não ajuda em nada, só prejudica, posto não caber a ninguém auferir lucros em tal tarefa, nem propiciar lucros. Tudo foi muito abadernado pelos cavalheiros aos quais o senhor elitizado aliou-se, além de não haver ainda caído no esquecimento o fato de que tal senhor já esteve lá. Por quanto tempo, mesmo? E o que foi, mesmo, que o tal senhor elitizado fez? O teto de gastos, uma bobagem, uma inutilidade monumental que, como era de esperar, não foi levada a sério, somada ao fato de que, em cúpula, revelou jactante o seu patrono, a coisa foi demonstrada ao Presidente Brics, que, depois, deve ter dado sonoras gargalhadas e nos achado ridículos, muito ridículos. A Senhora, respeitabilíssima, teria vez num quadro de absoluta normalidade e equilíbrio, que não é exatamente o quadro desenhado no Brasil pelos senhores baderneiros coadjuvados por suas ilustres passeateiras e por seus ilustres passeateiros. Fragilidade não é fraqueza, mas a delicadeza, a lhaneza de trato e de atos não funciona quando os interlocutores só conhecem a lei do tacape e a prática da dissimulação e da perfídia; é apenas falta de condições naturais para confrontar feras, pelas quais seu modo educado de ser jamais será entendido. Vem-me à mente aquela outra Senhora, valente, que retrucou sem dar chance ao machismo: Senador, aqui o senhor não vai ganhar no grito! E o melhor de tudo é que essa Senhora está na área. Merece votos. Quanto às feras que só conhecem a lei do tacape, à primeira contrariedade cairiam como abutres sobre a primeira Senhora retro mencionada; depois, caída, seria devorada pelas hienas de sempre.

Nesse panorama avulta aquele senhor por escolha nordestino, uma região de gente forte, justa e valente que para sobreviver costuma lutar sem queixas contra o agreste, e vencê-lo, senhor este que é forte como uma jamanta, hábil dialeticamente e perspicaz como um acadêmico com coragem de colocar o dedo na ferida. É claro que as renúncias fiscais precisam de um pente fino, mas fino mesmo, além de medidas outras já referidas, e mais, que se espera venham. E se cumpram. De saída. E avulta ainda aquele outro senhor dos dengues do excelente jornalista já ido de entre nós, cujo recado é o recado de sua gente, do seu ícone, recado claro, sem sofismas, sem fingimentos. Há que se diminuir, sim, a quantidade de deputados e senadores, o Congresso, suas despesas e seus custos absolutamente distorcidos e estranhos à realidade brasileira. Entre outras coisas essenciais que o desenrolar da campanha certamente trará, descartada a brutalidade preconizada e os nhen-nhen-nhens observados nas demais dicções.

A população, por fim, tem diante de si a oportunidade de votar, não em quem querem que vote, mas, por interposta pessoa, votar em quem ela quer votar, subtraído por circunstâncias ao pleito. Falando português claro, será bonito de dar gosto um segundo turno entre os candidatos do parágrafo acima, o senhor nordestino por escolha e o candidato do senhor que traz o recado de sua gente. Pintaram os canecos, só que esqueceram de perguntar a quem de fato decide se estava de acordo. Não estava. Por isso a bordoada está a caminho, instrumentada no voto ao candidato da Sombra que paira sobre as eleições de outubro. Não será uma vingança, será, tão somente, o exercício da autoridade inerente ao eleitor, especificamente o mais humilde e desprezado eleitor. O verdadeiro sentido do mundo, da vida, é definido pelas leis naturais; e nada mais natural neste mundo, nesta vida, do que a lei do retorno.

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