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  • Onair Nunes

LORD?


A última semana foi uma semana de regressos, maus regressos. O candidato à presidência com maior tempo de TV e um mundo de problemas à espera de propostas concretas, pertinentes e exequíveis reinaugurou o ciclo de ataques disparatados com a finalidade precípua da desconstrução, do desmonte, um programa inteiro, repetido e martelado, de agressividade assombrada, o tom amargo, o mesmo travo do ódio já conhecido espargido genericamente, não escapou ninguém; até os eleitores do ex-presidente, por pensarem com a própria cabeça, por não cederem ao apelo maldizente do candidato e seu grupo foram “promovidos” a adoradores, lamentável desrespeito e pura insegurança. Que país precisa de um presidente assim, que divide, que discrimina? Puxa, como a democracia é malquista em certos círculos políticos!... Todos os principais candidatos foram envolvidos na cambulhada do reconhecimento tácito do perdedor por escolha, que não tem gás para chegar lá, que não aposta em sua estatura, mas na diminuição suspeita, pelo que há de pior no ser humano, da estatura do concorrente direto, perdedor cujo brilho opaco o coloca em face de sua amarga desesperança. Que pena! E o Brasil precisando tanto de grandeza, de têmpera, de coragem, e nem um pouco de divisões, discriminações e ódios!...

Na semana dos destemperos, seria bom se pudéssemos saber quantos votos perdeu o candidato a senador pelo Estado do Rio de Janeiro com a intervenção descabida e abusada daquele senhor importado, dirigindo-se aos eleitores fluminenses como se fossem débeis mentais necessitados de chicotadas verbais e tom atrevido para votar, e como se não fosse o voto assunto inteiramente pessoal, apartado do cabresto e infenso a desplantes e desfaçatez. Pedir, está bem, mas impor, e daquela forma? Beira o ridículo. Se na hora de pedir voto o comportamento é esse, imaginem-se tais senhores em uma cadeira no Congresso, no Senado, o equivalente republicano à Câmara dos Lordes. Lord? É inacreditável.

E por último, mas não menos, variando apenas no tom, um canto de cisne, aquela do senhor candidato à presidência que nada diz, suspeita-se que por nada ter a dizer, senão que, aspas abertas, você não sabe, mas eu sou o seu candidato, aspas fechadas. Onde anda aquela elegância imaginada como se fora um seu apanágio? Desencaminhou-se? Ou nunca existiu, de fato? Ficou devendo, senador.

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CARRINHO