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  • Onair Nunes

VAI NESSA!!!


Vivo em uma cidade onde ser negro e/ou pobre é pecado mortal, e, segundo me informou uma irritada senhora de classe média quando da preparação do 'desembarque' da Sra. Dilma Rousseff, operário é ralé. Eu nunca soube disso. Como disse aquele baixinho feioso que acabou dependurado numa cruz por discordar abertamente do Sistema, consubstanciado em seu tempo na brutalidade da ocupação romana e nas regras do Templo, ficar goderando os abastados não é coisa de quem se dá o respeito, o busilis é frequentar os pecadores; são eles que precisam de gente de verdade, para quem, no caso, cor da pele e condição econômica não significam absolutamente nada, mas sim o caráter firme e a mais ampla honestidade, porque apenas pagar as contas não é ser honesto, uma vez que se não pagar a luz a concessionária a corta e se não pagar o crediário o nome vai para o SPC, tornando um bocado difícil a vida de quem dele depende para vivê-la.

E daí que sendo eu um tanto macaco de auditório do baixinho feioso — o da História, não o dos Evangelhos —, estando anteontem no centro da cidade e querendo comprar umas frutas, entrei na rua Cel. Gomes Machado, onde uma senhora vende em sua barraca frutas de excelente qualidade. Aproveitando o ensejo, e como estava por lá, rua de comércio essencialmente popular, entendi dever dar uma chance ao time de fofoqueiros que vive pelas ruas a xeretar a vida das pessoas a quem se dedicam incompatibilizar e anarquizar. Normalmente o que dizem é mentiroso; anteontem decidi dar-lhes uma chance real, sim, porque, para esses futriqueiros fazer compras em casas de comércio popular, camelôs, etc., é coisa de pobre, logo, sob sua ótica, coisa de gente desprezível. Ao passar por uma loja de roupas com bancas à entrada, comprei três peças de roupa de baixo — roupa de baixo é ótimo! Ao passar por outra, de utilidades domésticas, comprei um pequeno tapete de confecção artesanal, mesmo sem ter lugar para ele em casa, que acabou na entrada da cozinha. Pronto, estava feito, era só aguardar as reações, que não tardaram. Imagine, um sujeito que compra em lojas de pobre!….. Argh!…..

Estou me lixando!

Isso vem a propósito do atual momento nacional. O ódio que vem sendo instilado, as divisões que vêm sendo promovidas desde 2014 explodiram. Estou do mesmo lado de negros, pobres e ralés, não curto arrogância, truculência, autoritarismo, agressividade, preconceito, entreguismo, vocações destrutivas a cercearem a liberdade constitucional, nos limites da lei; pessoalmente, detesto os tios Thomas, gente que renega sua origem e todo o cortejo de degenerados que não olha para as pessoas como seres humanos, mas como potenciais oportunidades, objetos, ferramentas e/ou desprezo e falta de respeito.

Difícil compreender o que se está passando no Brasil, faço minhas as palavras atribuídas por José de Alencar a Bento Gonçalves, mais ou menos as seguintes, estou citando de cabeça: A liberdade não é uma burla para enganar o povo, ... que não se perde sem desonra e não se tira sem traição. A estupidez aparente, o oportunismo desenfreado, a desonestidade de propósitos e o agressivo desinteresse pelo país se parecem haver juntado num coquetel intoxicante e venenoso. A situação chegou a ponto-limite, clara a disposição de acabar com o Estado de Direito, evidente o propósito de, pelo menos, enfraquecê-lo, aviltá-lo; nada resta a dizer, o momento é de agir, de fazer algo, dentro da lei, para por fim aos abusos verificados. Não sou um doidivanas, nem estou empolgado com coisa alguma, ao contrário; tenho perfeita noção do que estou escrevendo, resta-me precisa ciência de que a ação que estou defendendo pode atingir ponto sensível de pretensões não claramente explicitadas, porque disposição para expô-las amplamente, debatê-las, que é bom, nada! As coisas soam encaminhar-se para o desmonte final da ordem social e legal e isso precisa ser contido. Priorizo o meu lado advogado, não por falta de opção, mas por ser herdeiro, como todos os advogados, da advocacia que nunca se furtou aos momentos difíceis do país, cujas lutas deixaram indelével marca de honra, dignidade e patriotismo.

Eu não suporto cabresto, e você? Vai colocar o bridão com as próprias mãos ou esperar que o coloquem? O que quer de pior venha a acontecer no Brasil renderá responsabilidades exclusivas para quem, deixando-se envolver, votar de modo a ensejar a chegada de ferrabrases ao poder. Não se abre mão impunemente dos direitos de fiscalização, vedação e controle inerentes à cidadania sem consequências altamente negativas, e, pior, arrastando com tal atitude pusilânime os verdadeiros brasileiros, prontos a resistir a desmandos nos estritos termos e limites da lei e da ordem constitucional, da disciplina legal, e contra a preconizada paz dos cemitérios.

Se você está com a cabeça no ar e olhos no vazio, dou-lhe o tom, não do que acontecerá, mas do que já está acontecendo: No exato momento em que escrevo este parágrafo há um frenesi na invasão da minha máquina, o que vem acontecendo há tempos e que inúmeras vezes denunciei aqui no blog; os sinais de que o trecho estava sendo copiado, como de resto todo o texto, foram evidentes, como, arrogantemente, se tornaram agora gritantes, de propósito, desafiadoramente. Isso porque ainda não chegaram lá, imagine quando, e se, você deixar ou promover chegarem! Você acha, elegância, que eu sou o único 'premiado'? Vai nessa!!!

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CARRINHO