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  • Onair Nunes

EMBRAER - CONTINUAÇÃO


A princípio falava-se tão somente da linha de jatos comerciais, o valor da transação três bilhões e oitocentos milhões de dólares; a população em geral estava muito ocupada com novelas, programas de auditório diurnos e noturnos na televisão, eleições precedidas de silêncios preocupantes, com o noticiário policial, permanente promoção da violência. O valor já era uma merreca, mesmo e tão somente para a linha de jatos comerciais. Valeu como balão de ensaio. Pouca gente prestando atenção, a conversa começou a mudar; o KC-390, foi sugerido, compreendia-se na linha comercial. Bem, embora a população em geral desatenta, uma certa preocupação já existente entre as pessoas ligadas nos reais problemas brasileiros acendeu o sinal amarelo; a conversa aberta, alegremente noticiada, tornou-se um tanto obscura, sindicatos começaram a se manifestar, cabelos começaram a se eriçar. Rola daqui, rola dali, começaram as cobranças; então, os luminares da fragilização do país começaram a ser entrevistados, divulgados como oráculos e senhores da verdade, bobagem, isso é coisa de um nacionalismo interesseiro, retrógrado e destituído de qualquer visão moderna de negócios, não chegaram a dizer tratar-se de gente despreparada e obtusa, mas que faltou pouco, lá isso faltou.

Arranjaram uma fórmula: Pronto! É preciso calar essa pobre gente habituada a considerar tudo o que recebe um favor, não parca retribuição pelo que paga de impostos, acostumada a ficar calada; em quem continuar a reclamar a gente taca a pecha de comunista, de membro ou simpatizante do PT, de eleitor inconformado do Lula. O valor passa para 4.260.000.000 (quatro bilhões, duzentos e sessenta milhões de dólares), a gente fica com a Embraer inteirinha, só deixando para ela três ou quatro modelos de jatos executivos; para o KC-390 a gente monta uma outra empresa, a Embraer fica com 59% (cinquenta e nove por cento), a gente fica “apenas” com 41% (quarenta e um por cento), mostramos que não nos importamos em ter a minoria das ações, o quanto somos magnânimos. Só que estes magnânimos estão entrando de alegres na parada, não fizeram nada, não aplicaram nada, não contribuíram de graça com nenhuma tecnologia. O KC-390 viabilizou-se porque a Força Aérea Brasileira entrou com 5 (cinco) bilhões de dólares para o seu desenvolvimento, tornando-o possível, colaborou de todas as maneiras junto à Embraer, uma empresa de alta tecnologia com 50 (cinquenta) anos de brasilidade desde os veteranos bandeirantes, uma empresa construída por quem sabe e por quem acredita. O KC-390 tem 80% (oitenta por cento) de investimentos federais, só a parcela da FAB no KC-390 representa 118% (cento e dezoito por cento) do capilé que estão oferecendo pela Embraer e tem um bocado de maus brasileiros loucos para entregar.

E mais; no momento em que temos qualquer coisa como 12.000.000 (doze milhões) de desempregados, quando, no início deste mês de Dezembro, o IBGE anunciou que temos 15.200.000 (quinze milhões e duzentas mil) pessoas vivendo abaixo da linha da pobreza extrema, é dizer, passando fome, querem transferir quase 30.000 (trinta mil) dos empregos que nos sobraram para o exterior. Ou alguém duvida que na opção de venda resultante da operação “linha comercial”, em que Boeing ficará com 80% (oitenta por cento) das ações e Embraer com 20% (vinte por cento), a empresa brasileira ficará sossegadinha no seu canto como a oficinazinha de manutenção de aviões em que será transformada, que a venda da sua parte do capital na nova empresa não será apenas questão de tempo, desprezado, sobretudo, o fato de que Embraer é bem mais do que “somente” uma fábrica de aviões?

O KC-390 tem que sair, rápido, dessa trapalhada absurda, deixar de se constituir presente de fim e início de ano para quem sempre nos tirou tudo o que deixaram que tirasse. E até contribuíram, aqui mesmo, para que fosse tirado. O Brasil não precisa de nenhuma empresa estrangeira para produzir e vender o KC-390; idealizou-o, construiu-o e já começou a vendê-lo sozinho. Que história é essa de sócio para o avião nesta altura do campeonato? A velha história nossa conhecida vai se repetir?

A bem da verdade, nenhuma Embraer tem de ser vendida para ninguém, ela é fundamental para o país, sob todos os aspectos.

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CARRINHO