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  • Onair Nunes

PENSANDO BEM... / MARIE-ANNE E JEAN-PHILIPE


OS NÚMEROS ESTÃO ESTÁVEIS

O Brasil viveu a grande mentira do déficit da Previdência até a CPI do Senado derruba-la. As prioridades nacionais são outras; fome, desemprego e a esquematização de investimentos imediatos para destravar a Economia, por exemplo, assuntos relativamente aos quais a reforma da Previdência, agora, em nada influirá ou contribuirá.

Previdência, matéria paralela, não é a Economia, necessitada, essa sim, de toda a atenção. E já com atraso. A Economia é a grande prioridade.

O blog, no início de 2018, alertou. O enfoque era inconsistente, distorcido por expectativas sem nenhum embasamento realístico, um equívoco. Previsões de crescimento do PIB no ano acima de 1% (um por cento) eram fantasia, não se sustentavam. Aconteceu o mesmo em 2019.

Vivemos irrealidades sequenciais, uma após outra, enquanto o país anda para trás, realidade assustadora. Uma pergunta foi feita e repetida; torna-se a repetir: De onde os salões perfumados pensam sair comida para os nossos milhões de desempregados e para os desesperançados, que já nem emprego procuram, para os que vivem abaixo da linha da pobreza absoluta? Sem trabalho, sem emprego, órfãos de toda assistência, não sai de lugar nenhum, eles se viram, comem muito mal ou não comem, não vivem, apenas existem. Os desesperançados, desiludidos de buscar emprego, não existem sequer para as estatísticas.

A Economia parada, o Governo não gastou, não gasta, o consumo das famílias esclerosou-se, o saldo exportação menos importação não compensou as duas vertentes anteriores, o investimento, razoável, na incerteza geral, é fator concorrente menor no cômputo do PIB de 1,1% (um e um décimo por cento) em 2018, de levantar as mãos para o céu que a expansão demográfica está girando em torno de 0,6% (seis décimos por cento), com espaço ainda para expandir a renda média de quem vive, não apenas existe. Quem não é ou será não tem renda, não tem nada, não preocupa nada, só tem expandida a própria infelicidade. Isso é alarmante! Essas pessoas precisam de trabalho, precisam comer!

Há um caminho, ainda há tempo. Fazer da Previdência um núcleo de geração de riquezas mudará para melhor os rumos do Brasil, do financiamento às pequenas e médias empresas, grandes e históricas empregadoras, além de solução para a saúde, sem perspectivas. Por que não pensar em termos de uma nova redação para o Artigo 201 da constituição Federal, com todos os seus desdobramentos?

A previdência social será organizada sob a forma de regime próprio por categoria profissional, de caráter contributivo e de filiação obrigatória, observados critérios que preservem o equilíbrio financeiro e atuarial, e atenderá, nos termos da lei, a:

I. ……………………………………………………………………………

II. ……………………………………………………………………………

III. ……………………………………………………………………………

IV. ……………………………………………………………………………

V. ……………………………………………………………………………

§ 5° É vedada a filiação ao regime de previdência social previsto no caput deste Artigo, na qualidade de segurado facultativo, de pessoa participante de regime próprio de previdência em sua categoria profissional.

§ 7° É assegurada aposentadoria no regime de previdência social previsto no caput deste artigo, nos termos da lei, obedecidas as seguintes condições:

I. …………………………………………………………………………..

II. …………………………………………………………………………..

É assunto delicado, de grande responsabilidade, sem dúvida, mas nem de longe podemos imaginar que ao Congresso falta envergadura e poder para desenvolvê-lo com competência; temos, nessa área, valiosos precedentes de um tempo em que aposentadorias, pensões e afins, de sobejo a saúde e a assistência social, funcionavam de modo bastante satisfatório.

Não faltarão cassandras a predizerem dificuldades, desgraças e confusões monumentais com relação à matéria, e os tementes da vida que exige, de cada um, têmpera, coragem e espírito forte, mas devolve muito mais do que quaisquer sacrifícios feitos, por retribuição principal a certeza de se bastarem, de não pedirem a ninguém favor ou licença para viverem decentemente suas vidas, ao tempo de não terem tolhida a liberdade de traçarem os próprios destinos e do seu país, ao invés de tê-los, a liberdade e o seu país, outorgados por forças outras que não a Constituição e a lei ordinária. A farra já começou; fazer da Amazônia área de interesse internacional sem sequer consultar o Brasil é o busílis para internacionalizá-la. Pura formalidade. Computando o total de cessões de propriedade a todos os títulos, quanto dela perdemos, quando dela nos resta? O campeonato brasileiro vai bem, obrigado; e tem a seleção, calouros maravilhosos, cozinhas televisivas, puxa, quanta coisa bonita! Tinha-se pão e circo, só restou o circo.

É preciso perspicácia camaleônica, maturidade e jogo de cintura; os interesses imediatos do país e de sua gente têm de ser prioridade absoluta.

Não se deixar entreter por ingenuidades e falta de visão que nada têm de ingênuas ou desfocadas é o melhor remédio para manter a cabeça no essencial e no urgente, recomendável todo o distanciamento possível do que está aquém das premências do momento, bem sabidas de todos quais são, de modo especial dos que sofrem os seus efeitos. Estão sob olhos que não os conseguem ver, são perfeita expressão do mise au rancart que não se entusiasma com o cavalo das aparências. E ainda se encantassem, não têm voz, não são ouvidos, não contam!

*

(...)

— O que quer venha de pior me atingirá, meu amor; morrerei se algo te acontecer.

— Beijo-te, meu carinho; agora vá, peço-te.

Ele esperou Marie-Anne começar a cavalgar em direção ao Palacete, em seguida encurtou forte as rédeas do árabe, que empinou; soltando-as ao mesmo tempo em que lhe cingia os flancos com o taco das botas, o animal disparou para os lados do atalho que levava ao caminho de Épernay.

O resto da tarde arrastou-se para Jean-Philipe; estava taciturno, lento e desconcentrado. Todos perceberam, algo não ia bem para ele.

Começara, já, a anoitecer quando encerrou as lições daquele dia. Deboucourt, três anos mais velho que ele, seu companheiro desde sua chegada a Vailliers, também originário de Paris, e, como ele, mestre de equitação, aproximou-se.

— Penso que estás necessitado de uma boa caneca de vinho antes de voltares para casa; por que não vens comigo à Taberna para bebermos e conversarmos um pouco?

Jean-Philipe olhou-o indeciso.

— Não sei se serei boa companhia.

— Sou bom ouvinte e tu estás precisando falar, se bem te conheço

após tantos anos; vem comigo!

Voilà! Se tens paciência com este teu velho amigo, eu realmente estou precisando de uma boa talagada e de falar um pouco.

Após trocarem de roupa e guardarem seus pertences, deixaram o Círculo de Hipismo. Chegando à Taberna foram alegremente saudados, Deboucourt fazendo mesuras e fingindo estocadas num e noutro, ao que exclamavam touché!, apertando com as duas mãos os ventres. Sentaram-se a uma pequena mesa quadrada ladeada por dois toscos bancos individuais, bem nos fundos do amplo salão, e pediram vinho.

(...)

[ONAIR NUNES —A CONSPIRAÇÃO DOS MEDÍOCRES/O REENCONTRO (MARIE-ANNE E JEAN-PHILIPE)]

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