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  • Onair Nunes

APONTAMENTOS - EMERGINDO DO CAOS


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Histórias são histórias, simplesmente as contamos, mas, para falar honestamente daquilo que pensamos, é necessário nos tornemos íntimos da verdade tantas vezes oculta ou ignorada pelo credo ut intelligam, pelos interesses. É gigantesca a dificuldade em discernir aquela destes, sempre eficazes na sua distorção, na maliciosa combinação de conceitos díspares, baralhando significados sem nenhum respeito pela mais rara das emoções humanas, como se fôssemos todos amoráveis; não somos. Não encontro motivos para me congratular com aquela parcela da humanidade em parte constituída por senhores poderosos, outros nem tanto, a maioria figurante ancorada entre o ser e o não ser, invertidos éticos e morais que por razões pessoais e econômicas, às vezes por nada, e até por mero ressentimento, fazem guerras, destroçam crianças e desarranjam famílias, dissimulam, matam, roubam, concebem imposturas, mentem, detratam e destilam sua peçonha, por inveja, para resguardar interesses, vantagens, conveniências.

Não costumo não gostar de gente, mesmo como essa aí em cima; apenas, e simplesmente, não a respeito. Reservo minhas emoções para as pessoas que justificam suas existências no pedaço de Universo onde vivemos, compensações para a sombria feiúra existencial às vezes muito próxima de nós, bem mais do que desejaríamos. Gente, na acepção deste trecho do livro, compreende-se no nivelamento dos exemplares da espécie, no posicionamento de todos de nós em elevado patamar ético/moral. Tenho dúvidas quanto a gostar-se de gente generalizando a proposição, empregar a expressão de maneira elástica; não vejo como assim possa ser se nos pretendemos razoáveis. Respeito pessoas, sinto por algumas enorme carinho, tão grande que, pudesse, lhes ofereceria um buquê de estrelas. Não generalizo, contudo; gostar, sem reservas, de gente, conduz, não raro, a terríveis decepções. Conscientemente ninguém o faz, ou, pelo menos, parece-me, não deveria fazê-lo.

Você conhece muitas histórias fantásticas de deuses, mas nunca lhe foi dado saber onde estão ou o que são além de implacáveis precursores das partidas dobradas padronizadas por Luca Paccioli. Bons contadores, adotam a regra básica: a cada débito ou crédito corresponde um crédito ou um débito; intolerantes, exclusivistas, ciumentos, implacáveis e odientos, sua assistência tem preço. Habitaram entre os homens, divertiram-se com suas filhas e geraram descendência, parte exaurida na lenda, parte perdida na bulha ficcional, produto da visão humana confundida numa barafunda que repele qualquer esforço para estabelecer-se onde termina a mitologia e começam as colusões. Reflitamos, tentemos juntos colocar um pouco de ordem nesse assunto para melhor nos situarmos, pensar Deus, Universo, homem com base científica mínima. É possível. Debruçado sobre os seus compêndios, genial, o cientista também cismou, disse da mente de Deus, desmistificou o Universo, mas não atentou na memória de nossa origem remota, insondada, perdida em meio ao seu imenso cabedal técnico; como força inteligente, a energia passa ao largo do seu crivo por se compreender seara estranha ao seu extraordinário intelecto. A resposta à sua pergunta pode estar muito além dos limites da física.

LIVRO I

EMERGINDO DO CAOS

Terá o Universo, realmente, um começo e um fim? E, se tiver, com o que se parecem?

(Stephen William Hawking, Uma Breve História do Tempo, Rocco, Rio de Janeiro, 1997, tradução de Maria Helena Torres, p. 163)

É imemorial, para além, muito além de 15 bilhões de anos.

Era o abismo, escuro, frio, silencioso. E a singularidade, imensa, descomunal, donde, numa bolha de espaço-tempo, energias terão vazado.

A bolha vagou; suas energias, ordenadas, constituíram um Universo vivo e inteligente, que, findo o seu ciclo, (…)

©Onair Nunes da Silva - Vedados a reprodução e o armazenamento para quaisquer fins e por quqisquer meios

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