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  • Onair Nunes da Silva

ROMA LOCUTA CAUSA FINITA - 4


OS DESAFIOS DA DEMOCRACIA

Despojando-o das vestes, cobriram-no com um manto escarlate; após, tecendo uma coroa de espinhos, puseram-na em sua cabeça, e, na mão direita, um caniço. Então, ajoelhando-se diante dele, escarneceram, dizendo- lhe: Salve, rei dos judeus! E nele cuspindo, tiraram-lhe o caniço e com ele bateram em sua cabeça. Depois de muito dele zombarem, despiram-lhe o manto e o vestiram com as suas próprias roupas. Em seguida, crucificaram-no. (Mateus 27, 28-31)

Um ritual de demolição de imagem variado ao longo dos séculos, sempre com violência, covardia e arbítrio. O escopo é a destruição do amor próprio, da autoestima, pela humilhação ostensiva e contundente, impiedosa, com o detalhe notável de que o método nem sempre funciona.

Não se trata aqui de puro sadismo; a finalidade do verdadeiro circo armado nas circunstâncias é a de criar uma imagem relativamente à qual a aversão se torne genérica e geral, utilizando-se para tanto a desinformação, a meia- verdade e a inverdade em larga escala. Não é, de fato, sadismo, é selvageria, uma conjugação perversa de instintos sem a menor consideração ou escrúpulo com as peças manipuladas para “esmerilhar” o alvo, peças vivas, ferramentas assim tornadas por espetáculos demolitórios precedidos de eficiente lavagem cerebral impregnada de ódio e desprezo não somente contra as vítimas prioritárias, mas contra todos aqueles a representar qualquer tipo de ameaça a essa prática degenerada.

Quem odeia, quem semeia o ódio, todavia, nunca atenta para o fato da deformidade encerrar-se, estéril, em si, desmanchar-se em azedume, estiolar- se em seu natural processo autodestrutivo; as cabeças pensantes se cansam, tudo se faz pestilência, um clima doentio, falta rumo, pois odiar é um fim em si mesmo, que divide, desagrega e não constrói. As mãos, sujas, acostumadas ao lodo, ao esterco, apenas em tal atmosfera se sabem movimentar. Mas os seus espaços se vão encurtando no correr do tempo com a crescente percepção de que a malevolência é destrutiva, deletéria.

E chega o tempo do amor, que une, agrega e constrói; as vítimas do ódio não sabem odiar, as boas índoles em letargia começam a despertar. Os caminhos tortuosos e obscuros percorridos pela fúria condenatória e malevolente vão perdendo os seus esconsos, começam a iluminar-se, enquanto o ódio, a soberba e a vocação oportunista insistem nos atalhos, continuam em sua ingrata busca da viabilização do inviável, do irrealizável num mundo cujas estruturas já não os recepcionam, na letra fria e inexorável a mistificação impossível, o sopro da esperança devolvendo a treva aos corações a que pertence. Chegado o tempo do amor, uma ridicularia para os sacerdotes do ódio, um modo de vida para o ser humano investido de toda a humanidade, polido, a têmpera apenas dosada no sentido do bom e do justo, chega com ele o tempo dos verdadeiros líderes, formados nas dobras do estoicismo, dos que não se deixaram abater, daqueles que saíram engrandecidos e melhores dos seus martírios e dos seus suplícios. Bienvenu à son retour.

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