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  • Onair Nunes

PRECISAMOS REESCREVER A NOSSA HISTÓRIA


Um Estado não inserido na ordem mundial jamais poderá aspirar a desenvolver-se no ritmo de suas capacidades, a serem concebidas e ordenadas com o fim precípuo de fazê-lo protagonista, não coadjuvante ou mero figurante no concerto das nações; um país intolerante e isolado economicamente em suas práticas e concepções do restante dos países jamais exibirá índices sustentados de desenvolvimento. A ordem mundial não abona atitudes ou comportamentos discriminatórios de filosofias e/ou princípios econômicos ou sociais. Cada povo tem o direito de decidir como quer ser governado e por quem quer ser liderado. O condão do diálogo e a postura adequada para administrar as diferenças, não os absolutos, definem as lideranças, capacitando-as para conduzirem seus países à participacão na ordem internacional.

Crescimento econômico não é uma figura abstrata; decorre do aumento da produção como um todo e do aumento da produção per capita em particular. Faça você mesmo um pequeno exercício, grosso modo, e verifique pessoalmente como anda a Economia e o quanto de verdade há no que lhe estão dizendo o rádio, a televisão e os jornais. Pegue o PIB dos últimos 25 (vinte e cinco) anos, ano a ano, e divida pela população do país no período. Você vai encontrar, repito, grosso modo, o PIB per capita. Converta-o em dólares americanos. Considerando o aumento populacional ano a ano, o seu insight tangenciará o grau de eficiência do governo e a contribuição dos empresários para a saúde econômica do país. Nesse ponto, distribua ao longo dos 25 (vinte e cinco) anos considerados as Administrações federais, os governos. Tabule o período de cada Administração por coluna e compare. Você terá aí uma rica fonte de informações, inclusive quanto às Administrações mais eficientes e que melhor atenderam às exigências do crescimento populacional. É sumamente importante determinar as mudanças econômicas estruturais no período, especialmente a transferência da produção agrícola para a não-agrícola, ou seja, como se desenvolveu o processo de industrialização do país, considerada a distribuição da população entre o campo e a cidade, e a distribuição da renda traduzida no acesso aos bens e serviços, notadamente nas mudanças dos números e percentuais de pobreza. O período em que se verifique um padrão estável de crescimento associa-se a mudanças tecnológicas e sociais; nestas, constatar-se-á, por exemplo, em nossa história recente, um padrão estável de crescimento e a estagnação, com desatualização do contexto tecnológico, apontando para a eficiência da Administração e para a ineficiência do empresariado, vestíbulo da recessão e da regressão econômica.

Não há remédio caseiro para esse tipo de problema; o país tem de tornar-se parte do sistema internacional, reordenando e aprofundando suas ligações com a mecânica econômica externa, com a economia mundial. A abertura necessária compreende também a abertura de um canal estável de comunicação com o exterior, além de toda forma de atuação no cenário mundial, congressos, conferências, eventos midiáticos e troca de informações diplomáticas e econômicas, respeitadas, naturalmente, as regras de segurança de cada país. É preciso estar sempre pronto a negociar, não ceder, mas negociar, colocando em posição de destaque os interesses brasileiros e considerando na devida conta os interesses dos países interlocutores sem transigir com o essencial.

Já não estamos no tempo dos heróis, que nunca nos fizeram bem. O trabalho a ser desenvolvido é demasiado importante para ser subtraído à diplomacia profissional e funcional, a diplomacia realista que define meios e objetivos factíveis no plano internacional sem perder de vista que os objetivos se definirão pelas necessidades de médio e longo prazo do país, de forma a sustentar o desenvolvimento permanente, duradouro. Essa é uma função da diplomacia econômica; ajustes internos são arranjos para contadores e políticos.

Democracia e direitos humanos são pressupostos essenciais, antecedentes necessários do modelo traçado em nossa Constituição. Temos de avançar para objetivos internos que desmontem nossa velha ordem doméstica, a ordem do colonizador estabelecida em quase quatrocentos anos de domínio externo, continuada após a independência pela sobrevivência de hábitos, costumes e práticas, formalmente extinta em 1988, mas com sobrevida informal, paralela e inconformada com o fim do seu poder de decidir sobre os destinos do país, desarrumando-o quando contrariados os seus desígnios, grupos de decisão e detentores de mecanismos que modificam sua estrutura ao sabor de interesses nem sempre acordes os interesses nacionais e consoante as normas constitucionais e legais. O que temos no Brasil é uma prática de séculos não compreendida nos limites dos controles oficiais, somos o que grupos de poder querem que sejamos, não o que convém a um grande país com espectro de potência, mas realidades assustadoras. Somos um grande pequeno país capaz de produção intensiva de alimentos e minerais para exportação, para consumo externo. Precisamos de um parque industrial que atenda a nossa realidade necessária. Medir a eficiência de nossa capacidade industrial instalada é enganador, nada significa além da medição das nossas insuficiências industriais, da nossa capacidade de produzir insuficientemente itens de baixa qualidade que nos custam caro. Temos um parque industrial secundário de declinante participação percentual em um PIB ridículo para as nossas potencialidades, travado quando ameaça subir, colocar a cabeça de fora.

Precisamos de iniciativas pessoais produtivas, de cidadãos voltados aos interesses cruciais do país; precisamos de resultados, não de doutrinas e digressões acadêmicas estéreis, necessitamos estabelecer um modo cooperativo de vida que projete o Brasil na direção da ordem mundial, preservados os nossos valores, e fixar nossas metas estratégicas. Precisamos todos administrar o nosso desenvolvimento e direcionar tudo o que fizermos no sentido da definição do nosso papel no mundo. Precisamos sepultar bem fundo o que herdamos da colonização, que não é pouco nem inofensivo, e reescrever a nossa história nos termos do Brasil e dos brasileiros.




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CARRINHO