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  • Onair Nunes

REFLITA SOBRE ISSO


Nenhum de nossos governantes, desde a proclamação da República, fez o suficiente para mudar o histórico enfoque social e econômico que herdamos do nosso passado de limites estreitos e de sinecuras, ressalvado o de Getulio Vargas sob alguns aspectos capitais, e o de Juscelino Kubitschek, quanto à industrialização do país, na esteira dos esforços estadistas de Vargas. Os governos militares nos deram uma nova visão do Brasil, ainda necessitada de mais história para ser inteiramente entendida, embora, sem qualquer sombra de dúvidas, tenhamos feito expressivos progressos.

Até hoje o sistema de travas e destravas é aplicado, às vezes de forma nem tão sub-reptícia assim, a informar descuidos anti-republicanos imperdoáveis. Parecemos um país de poucos donos, cujos patriarcas não terão nascido em solo brasileiro, parecendo, ainda, que, a tais donos, se realmente assim é, não apraz uma nação em harmonia partilhando o progresso econômico e social. Educação precária, Saúde assassina, parecem, ainda, obedecer ao velho princípio do colonizador, as estradas ruins, de quebra, e a brutal ausência de estrutura sanitária em metade do país, realidades absurdas em pleno século 21, amor e respeito próprio literalmente no esgoto.

Um outro dia o ex-Presidente Fernando Henrique disse que para governar o Brasil é preciso estar disposto a meter a mão na lama, frase de sentido muito específico. Ele não foi perfeito em seus governos, mas é um homem educado e lúcido. A burocracia, proposital, para dificultar, ou supostamente evitar, fraudes, leia-se associar-se de sorrate à Coroa para drenar riquezas do país faliu em sua concepção originária, mas continua na prática emperrando tudo, ainda tenhamos quadros funcionais em boa parte muitíssimo bem preparados e com os quais o país pode ser rematadamente administrado.

Parece haver uma regra que trava para manter interesses na estúpida distribuição de renda no Brasil, uma estratificação social que tange o tribalismo, e um gosto pela violência moral e transgressão legal a ultrapassar de muito os limites democráticos de direito. Essa regra tem sido travar o país.

Estamos num bom momento para repensar tudo isso.

Não me lembro quem disse, mas a frase tem um indiscutível travo de realidade: “Há algo congenitamente esquizofrênico no caráter nacional brasileiro”. Não poderia ser de outra forma; são séculos de incúria, discriminação, desrespeito, descaso, soberba e humilhação.

Estudos comparativos recentes concluíram que o povo brasileiro é o que, no mundo,

padece do mais alto grau de ansiedade, consequência lógica da manutenção do país na trava, sob intimidação, no desemprego maciço, infeliz, que só aumentará a ansiedade cujo desdobramento natural é a depressão coletiva, depois nacional, um dos seus efeitos mais imediatos a improdutividade. É uma boa maneira de jamais sair do atoleiro em que estamos enfiados.

Reflita sobre isso neste Natal, neste fim de ano. É preciso reagir, equilibradamente, nos estritos termos da lei e da ordem, mas reagir. O primeiro passo: Olhar o mundo que nos rodeia com senso de realidade e promover as alterações comportamentais necessárias, recomendadas por uma visão conceitual revista de tudo o quanto tem sido visto e ouvido nesses nossos tempos malcomportados.

Precisamos banir das nossas considerações os que nos põem em sobressalto, quem nos mente e vive para ilaquear a boa-fé, quem desafia as leis a partir da lei maior, nossos sustentáculos de negação à barbárie, a vulgaridade, a dissimulação. Precisamos cultuar a verdade e a ética, praticar a liberdade e não tentar impedir que os outros também o façam. Somente depois de alcançar esse estágio estaremos preparados para viver a grandeza cidadã a que o nosso Estatuto nos remete, para construir o grande país do qual queremos e merecemos ser súditos; só a partir de então encontraremos a paz perdida com as atribulações que nos têm sido impostas,

Até o dia 02 de Janeiro. Que a força universal de fundo esteja com vocês. Bom Natal e uma regeneração do tempo tranquila e feliz


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CARRINHO