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  • Onair Nunes da Silva

UMA GRANDE BRINCADEIRA


Pode-se, talvez, dizer, com base na postura predominante entre aqueles a deter a essência da informação, não haver nenhum mal maior projetando-se da efervescência controlada dos acontecimentos gerais. É natural. Afinal, tudo o que temos é consequência direta de uma linha de pensamento e ação que se vem desenvolvendo através do tempo, como um jogo de xadrez, de conquistas calculadas no centro do tabuleiro, e de cerco estratégico na periferia dos fatos, cerco estratégico aqui empregado em homenagem à terminologia adequada, de fato teorias mal compreendidas e grosseiramente instrumentadas; são poucos os reis e damas, há um certo número de bispos e torres, sobejam os cavalos e proliferam os peões. A leitura é ruim, a cultura verdadeira confundida com informação e a sensibilidade necessária à fiel compreensão dos elementos do jogo para definição da melhor estratégia fica notavelmente comprometida.


Não se desdenham os insistentes sinais emitidos a partir do quadro geral dos acontecimentos; a imensa maioria não os apreende, os poucos que os manipulam, ocultam-nos, patrocinando na retórica e na tranquilidade aparente uma falsa normalidade com alguns sacolejões do petróleo, do coronavírus, mas isso vai passar, dizem, as discordâncias serão superadas porque os interesses que as cercam são monumentais, enquanto o coronavírus já se estabilizou e logo, logo, entrará na curva descendente. Lembra daquela gripe que fez estragos, matou mais do que esse “probleminha” vindo da China, depois foi embora? Pois é, essa gripezinha metida a besta logo, logo, irá também, certo? Não, errado, erradíssimo! A questão crucial é tecnológica, científica.


Se alguém com poderes extralegais para assim decidir entendeu que você deve ser monitorado todo o tempo, permanentemente, você está sendo monitorado todo o tempo, permanentemente; nas águas desse monitoramento muitas “armações” podem surgir e quem não estiver alerta quanto a isso certamente será enredado numa delas. Ao contrário do que será dito, se perguntado, a computação quântica já está entre nós, paredes e tetos talvez (?) não mais sejam obstáculos para os operadores do Big Brother total, que provavelmente não querem para eles um Judiciário convencional, para todos, aquele princípio saudável e atual a dizer que todos são iguais perante a lei. A meta será, quem sabe, uma justiça de momento segundo regras próprias. Capitalismo, para os mestres do Big Brother quântico, é um modelo que deve ser revisto e dirigido, ofício

para uma nata que decidiria com vistas aos seus exclusivos interesses, concentrados numa criatura etérea a que chamam Mercado, que passaria a operar de modo seletivamente integral, estabelecida uma seletividade que não abrangeria o grosso das populações, encaminhando desde logo as soluções finais para a questão da deficiência de alimentos, da deficiência hídrica e dos espaços habitáveis, prevenindo a higidez de uma classe dirigente a ser formalmente instituída e o isolamento das comunidades básicas, reservada a educação formal de qualidade às pessoas que de qualquer modo fizessem parte do universo dirigente. Congresso e Instituições democráticas só serviriam, na visão dos senhores do Big Brother total, para atrapalhar o bom desenvolvimento desta nova Sociedade.


Não me lembro muito bem; há, ou havia, um programa de humor sardônico que se anuncia, ou anunciava, dizendo ser difícil competir com a realidade. Ela é, realmente, muito mais estranha do que normalmente imaginamos. Assim, sob a ação dos monitores, é consentâneo manter a mente ocupada com imagens e assuntos que nada tenham a ver com a sua vida profissional, privada e íntima, de preferência compreendidos por grandes absurdos e por figuras conhecidas, Et’s, atos de heroísmo, lindas senhoras que na vida real nada lhe dizem de especial, ilhas paradisíacas, inesperados altamente gratificantes, absurdos tais que incendeiem a mente dos operadores de Big Brothers, mexeriqueiros antes de qualquer coisa, futriqueiros da mais baixa espécie. Pense bobagens que os coloquem em saias justas, induza-os ao erro, ao ridículo, situações que o seu comportamento normal e real não abona e não confirma. Com o tempo, mesmo os candidatos a futriqueiros vão vê-los como realmente são, é dizer, menores. Não entre nessa de não dar bola, de não denunciar, de não passar recibo. É exatamente o que querem e apregoam enquanto vão fazendo a festa.


Manifestações fora de contexto não contam para nada, são apenas uma grande brincadeira para quem não tem o que fazer ou não sabe como fazer, um modo de desfocar a realidade. Ajuntamentos devem ser evitados nestes tempos virais, ações no sentido de atear fogo ao circo também, promover a insegurança geral idem. Há um bocado de gente querendo e precisando trabalhar, isso é, por sinal, o que todos temos de fazer, cuidar de coisas sérias que estão descuradas. E para tanto, tranquilidade é algo de que estamos muito necessitados, temos um país para reconstruir e já estamos um bocado atrasados. Que tal começarmos a trabalhar nisso? É a melhor maneira de demonstrar que o amamos.

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CARRINHO