ELEIÇÕES


Imaginem uma grande Empresa, com uma quantidade enorme de acionistas, necessitando de alguém para ocupar o seu principal cargo executivo. Agora imaginem, num momento em que o Empreendimento está claudicante, especialmente quanto ao aspecto econômico/financeiro, um candidato ao cargo, em entrevista, ao receber do principal da Board o último relatório geral com o pedido de que o leia sem pressa e dê a sua visão dos problemas mais prementes a reclamar soluções imediatas e abrangentes, alinhando medidas corretivas realistas e factíveis, sair-se com a seguinte resposta: Ah, o senhor mesmo disse que a questão mais relevante no quadro geral —estou falando de alguém necessariamente articulado e preparado, que exponha com clareza suas ideias e posições, especialmente quando suas exposições abranjam, embora sem profundidade maior, questões técnicas, atestando sua perfeita compreensão dos problemas— é a situação econômico/financeira da Empresa; olha, eu não sei, não entendo nada de Economia e Finanças. Isso aí o senhor tem de perguntar ao Vice-Presidente da área. Responde o homem da Board: Eu só estou pedindo ao senhor que interprete o relatório para fins de recomendações pertinentes à solução efetiva dos problemas da Empresa, com ênfase absoluta para a questão econômico/financeira, sem cujo correto equacionamento será impossível resolver as nossas necessidades mais urgentes, em especial o déficit resultante do grande desequilíbrio do nosso Balanço. Responde bruscamente o candidato: Ah, eu já lhe disse que não entendo nada disso; eu me cercarei de gente competente e ela me dirá o que deve ser feito. O homem da Board: Mas como o senhor escolherá os seus colaboradores se não entende nada do assunto, e, depois, se não está preparado para interpretar o que lhe disserem. Ah, isso não é problema, responde o candidato, os meus amigos já me indicaram quem deve ocupar as posições-chave. Insiste o homem da Board: Desculpe, não se ofenda, mas o senhor, devido à sua preparação deficiente, terá os seus auxiliares escolhidos por terceiros, os quais, não podemos afirmar, serão isentos, que não terão lá os seus próprios interesses, isso significando que o senhor ficará totalmente nas mãos de auxiliares, que, por sua vez, devem obediência a quem os indicou e que a Empresa nem ao menos sabe de quem se trata. Arremata o candidato: Ah, fique tranquilo, é tudo gente boa. O homem da Board, finalizando a entrevista: Ah, sei, sei!…

No dia seguinte, perguntado por seus pares sobre o candidato, o homem da Board, sem meios de deduzir de modo adequado os termos da entrevista, responde secamente com expressão inusualmente fora dos seus hábitos de linguagem: Ah, o candidato não compareceu!…

O Blog fixou critérios elementares para acompanhar com um mínimo de acurácia, objetividade e senso de realidade a movimentação dos postulantes ao posto de Presidente da República Federativa do Brasil, um assunto de tamanha importância que não se pode imaginar alguém nela envolvido sem adequada formação, preparação e visão conjunta dos problemas do país, com ênfase absoluta para a questão economico/financeira, sem cujo correto equacionamento será impossível encaminhar soluções para as dificuldades em meio às quais nos debatemos, urgentemente para correção do gigantesco déficit nacional, cujo alargamento, e em face do estupidificante desequilíbrio das contas federais, acabará, fauces desmedidas, por engolir o país, já devidamente “mastigado”. Vivemos situação absurda; convenientemente “podados” os “indesejáveis”, e de acordo com a primeira pesquisa, devidamente registrada para que validade lhe seja conferida, temos que os candidatos que aí estão, todos eles juntos, mal chegam a encostar no candidato da preferência da grande população, não chegando todos eles, juntos, nem perto dos cinquenta por cento da universalidade de votos, é dizer, candidatos com os quais os eleitores nem de longe se identificam estão sendo praticamente impostos para uma eleição, desnaturada de seus mais elementares componentes democráticos, de tamanha importância. Para o blog, nenhum candidato com menos de 10%(dez por cento) das intenções de voto justifica atenções e análises; como, validamente, e para quê, considerar candidatos com menos de 10% (dez por cento) das intenções de voto? Isso nada tem a ver com a mídia, que tem o dever de levar ao público informações completas sobre as eleições.

Não há modo de, a curto prazo, resolverem-se os problemas da Economia do país; do jeito como andam as coisas, a longo prazo, os nossos déficits, aumentando continuamente, findarão por se consolidarem em “título exequível” a ser saldado com a dignidade nacional, vitimizando cruelmente a parte maior de sua população, cada vez mais desfavorecida. Não há como, sem dinheiro, resolver os problemas da Saúde, que não significam apenas hospitais e médicos, mas toda a infraestrutura de serviços sociais, paramédicos, de orientação, primeiros socorros e atendimento preventivo; da Educação, que precisa ser toda reformulada; e da Segurança, uma colcha de retalhos sem chances da necessária unificação técnico/científica e corporativa segundo os critérios atuais. Tudo isso compreende matéria de longo prazo, sem essa coisa inútil e boba dos candidatos irem para os programas de televisão e rádio a dizerem eu, eu, eu, eu, eu… sem qualquer laivo de realidade e sem demonstrarem real domínio e compreensão dos nossos problemas, um emaranhado de dificuldades aparentemente criadas para não serem convenientemente resolvidas. E tudo isso sem esquecer de programar-se a longo prazo e iniciar-se imediatamente a implementação de medidas para atender às formidáveis necessidades de infraestrutura —ferrovias, navegação costeira sistemática, hidrovias, ampliação e melhoria da malha rodoviária atual. E, de importância capital, desmanchar a entrega do nosso petróleo pré-sal a terceiros para pagarmos em recompra a preço da cotação internacional o óleo que nos pertence, produzido a menos de 10 (dez) dólares o barril. Um crime contra o Brasil, e ninguém diz nada a respeito.

OBrasil tem de iniciar o corte dos seus custos absurdos, já, sem retardos e sem delongas, a começar pelos subsídios empresariais em torno de seis por cento do PIB, que têm de se tornar ultra-seletivos, acompanhados “em cima”, com rigor, e suprimidos ao menor sinal de que não apresentam resultado efetivo; diminuir o tamanho do seu Congresso com suas despesas e custos mirabolantes; acabar de uma só tacada com a imensa maioria dos cargos comissionados; preparar e apresentar à nação um balanço realista da Previdência Social, sem penduricalhos, sem aplicação dos seus fundos em rubricas estranhas à finalidade da contribuição dos trabalhadores; plantar e cuidar que germinem saudáveis as sementes de um plano de cargos e salários unificado para todas as atividades do governo federal, sem distinção de área, operante no sentido de que todas as necessidades funcionais do Executivo sejam preenchidas por funcionários de carreira, concursados, a serem escolhidos entre aqueles de melhor performance aferida por sistemas de pontos atribuídos na forma da eficiência no desempenho de todas as funções exercidas, medida pelo resultado do trabalho de fato desenvolvido.

É preciso desregulamentar, e, por extensão, diminuir pela racionalização o tamanho do Estado, com fiscalização eficiente e abrangente a ser procedida por pessoal competentemente formado, treinado e mantido com recursos advindos da economia resultante da reestruturação de todo o aparato estatal.

O papel do Presidente nessa massa de trabalho é fundamental, devendo ele tomar iniciativas para estabelecimento da totalidade das medidas pertinentes.

Fora disso, figurativo apenas do que é mais urgente, tudo o que se disser será supérfluo e implicará ausência relativamente aos temas de fato importantes, equivalendo ao não comparecimento dos candidatos aos shows televisivos dos programas e entrevistas eleitorais, não bastando, ainda, para marcar presença, apenas habilidade dialética ou o simples referir das grandes questões, no passo em que será preciso deixar muito claras e estabelecidas as fontes de recursos para o que se propuser e forma de alcançamento das metas. Com um cronograma apropriado que não poderá ser modificado, alterado ou prorrogado, sob pena de verificar-se incompetência básica e deliberada intenção de ludibriar, com os seus consectários legais.

E abram-se os olhos para quem disser que tudo isso é fantasioso; será, antes, coisa de quem não sabe como fazer ou de quem não quer fazer.

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