A PLENO VAPOR


Pelo canal aberto o quadro é preocupante, avaliado pelo que é levado ao grande público, os mais remotos rincões do país incluídos. Falo do Brasil como um todo, não apenas de quem assiste canais por assinatura ou habita as médias e grandes cidades.

A truculência já não saúda e pede passagem, troveja e força a porta cuja chave é o voto, livre, que se pode tornar mudo, cativo. O projeto é o da violência institucionalizada, útero no qual se gestam Estados policiais em que a liberdade se dilui, relativiza-se, perde-se. Não soa desejável essa desonra. Do nada que se ouviu destaca-se a “escolha” a ser imposta entre o trabalho e o direito, um ou outro; para os donos da Economia, foi-nos informado, os dois não podem coexistir, tornando o trabalhador, se trabalho tiver, um escravo ou quase isso. Seria justo imaginar a devastação de direitos em vias de esmaecer-se, sossegar-se; ao contrário, ela vem agora com um emissário pré-definido, já não há reservas, nem digo pudores, impondo-me contenção no uso de palavras e expressões duras, bastando-nos o que vemos e ouvimos nos programas de entrevistas eleitorais. Não temos de contribuir para a sua exacerbação.

Com o fato que se vai fazendo notório de quererem por definitivo o trabalhador à mercê dos modernos senhores de engenho, o que se tem agora é o desenvolvimento daquele absurdo contra o qual a própria Organização Internacional do Trabalho, braço atuante das Nações Unidas para as questões laborais mundiais, se voltou, além de toda a Sociedade brasileira e suas mais representativas Instituições. Quer-se o trabalhador no Brasil mero semovente, os empresários, senhores, os governos seus servidores para o que houver de mais retrógrado em termos de direito, anulando-se as conquistas sociais coletivas, individuais e pessoais do homem como cidadão e como ser humano. Não sem boas razões o entrevistado de segunda-feira lembrou que por estas nossas bandas de mundo quem demonstra preocupação com o trabalhador, com os desfavorecidos e desassistidos, pobres, não elitizados, recebe, acompanhada de fúria e desdenho, a pecha de esquerdista. Fosse apenas isso!… O blog já falou sobre tal cacoete, tendo em decorrência um bocado de histórias para contar a respeito.

E por falar na segunda-feira, chamou a atenção de lá para cá uma avalanche de reações a deixar muito claro que para a parcela elitizada do país a manutenção em Segunda Instância de sentença condenatória de Primeira Instância faz do paciente um criminoso juramentado, irrecuperável, de demolição moral e da cidadania obrigatória e sistemática. A Constituição Federal, segurança jurídica, essas coisas todas para todos? Bem, em termos! O entrevistado de segunda-feira declinou também comentários sobre o assunto e não seria lá muito possível contraditá-lo, mesmo o quiséssemos. Às vezes, a nossa formação nos limita, exige rigoroso posicionamento ético/profissional, redobra-nos o respeito e o acatamento quando, profissionalmente, não somos parte da questão. E muito frequentemente até quando somos.

Ser operário, “sem berço”, no Brasil nunca foi fácil; não tenho e nunca tive nada a ver com o PT, mas estou pensando seriamente em desligar o meu nome do Partido ao qual me filiei há muitos anos e filiar-me ao Partido dos Trabalhadores. Recuso-me, terminantemente, a participar de linchamentos. E o que puder fazer, rigorosamente dentro da lei, para evitá-los ou pará-los, farei.

O mais importante, contudo, é que o segundo entrevistado continuou ausente; o nosso petróleo pré-sal nos está escorrendo fora, para outras mãos que nada fizeram, nada gastaram, nenhuma tecnologia de águas profundas empregaram, que somos bons nisso, para prospectá-lo, e estão sendo agraciadas com bilhões de barris a serem extraídos a custo inferior a 10 (dez) dólares que nos custarão, por unidade, na recompra, cerca de 60 (sessenta) dólares americanos a mais, às cotações internacionais de hoje, e tudo o que se ouviu foram quirelas eleitoreiras e agressividade, muita agressividade. Enquanto isso a reforma tributária, pela qual o país não mais pode esperar, a reforma política, urgentíssima, o déficit federal gigantesco, a Economia em paupérrimo ramerrão, o desemprego absurdo que, contados os dependentes dos desempregados, mantém mais de 50 (cinquenta) milhões de patrícios de pratos mal fornidos, senão com fome, a saúde o que se sabe, etc., etc., etc., foram assuntos nem de leve tocados. Parece predominar o lixe-se o país, o show tem de continuar!

Sofisticados protestos de mentirinha permanentemente em pauta, preconceito de cor no Brasil sempre existiu, mas o preconceito real por aqui é bem mais desumano, corrosivo e repulsivo por laborar especial e historicamente contra pobre, seja ele negro ou branco, contra a pobreza, uma indústria muito rendosa que está operando a pleno vapor.

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