NÓS ESTAMOS AQUI DE PASSAGEM


Tratando-se de assunto sério, sempre que comparações forem feitas entre Brasil e Estados Unidos será por falta do que dizer ou porque quem fala não sabe do que está falando.

Comparar o mercado financeiro de um país com PIB de 10% (dez por cento) do país paradigma é uma violência contra a boa-fé. Quando, e se, quiser-se saber de verdade porque o Brasil tem uma rede bancária muito menor do que os Estados Unidos basta comparar as riquezas que um PIB de 18 trilhões de dólares põe a circular, o movimento das Bolsas americanas, com as riquezas concentradas que o pobre PIB brasileiro faz circular, com o nosso mercado de ações. Que ninguém cogite a parlapatice de mexer com os bancos brasileiros sem preparar-se, e muito bem, para isso, prevendo alternativas para um “nó” no meio circulante. Contrariados os bancos, o dinheiro sumirá da noite para o dia, o crédito encolherá, tornar-se-á ainda mais seletivo e a Economia, já miudinha para o nosso potencial, ficará sabe como? Lembra aquele gesto que o genial Chico Anysio criou para o Raimundo Nonato quando o professor encerrava suas aulas?

Bancos e Indústrias, banqueiros e industriais não são no Brasil o que são por obra do acaso. É claro que, respeitadas as regras do livre mercado, quem de fato tiver em mente ordenar a Economia tem necessariamente de discipliná-los, mas é imperativo agir sem gabolices e em estrita harmonia com a lei; existem mecanismos de controle, administrativos e legais para, sem provocar uma queda de braços, uma boa condução desse assunto. Há muito a ser feito, que precisa urgentemente ser feito, a começar por, assentadas alternativas exequíveis, uma boa conversa, franca, profissional e realista, sem acochambrações, fanfarrices, apelos a patriotismo e consciências, que esse não é o forte dos donos do dinheiro e imperadores do mercado.

Em lugar de comparar, mais sensato talvez fosse o convencimento definitivo de que a brutalidade e a estupidificação dos nossos costumes e práticas alcançaram ponto máximo há pouco mais de uma semana, impossível imaginar pudesse ocorrer oito, dez, doze anos atrás o incidente eleitoral a que o país assistiu perplexo. Que também não aconteceu por acaso; vencidos sucessivamente nas urnas alguns senhores decidiram virar o Brasil de cabeça para baixo, semear discórdias, instilar ódio, dividir, agredir, ofender, mentir, destratar, desmontar, destruir instituições, pessoas, quem, afinal, não rezasse por sua cartilha, criando um insuportável clima de violência, uma rede de maledicências com a finalidade de fazer ascender os seus gurus, depois revelados em sua mais crua expressão, em nada diferentes, essencialmente, dos alvos eleitos para destruição em seu universo. Chegamos ao ponto da rudeza naturalmente praticada, ao incensamento ritual do grosseirão escandalosamente discriminatório, de extremo facciosismo, olhe-se o que se olhar, analise-se o que se quiser em qualquer nível. São esses senhores os únicos responsáveis pelo clima absurdo e insalubre que estamos vivendo. E os seus porta-vozes. Todos eles precisam ser banidos. Pelo voto. A hora é essa. Eliminando-se as causas removem-se os efeitos.

Não pioremos as coisas, aquilo que já está insuportavelmente ruim. Ao se assistir, e deve-se assistir, os candidatos em campanha, perscrutemos-lhes a seriedade, a coerência de suas propostas, sua lhaneza de comportamento, seu comedimento. Há gente disposta a qualquer coisa para chegar lá; há gente que acredita, de fato no que diz, manifestação de honestidade, ainda não concordemos com nenhuma forma de violência porque ela não é solução para nada, só embrutece; e há candidatos com propostas objetivas, realistas, de implementação necessária, indispensável para mudar-se o rumo das coisas, construir o novo Brasil de que tanto precisamos. Para isso, não há arma alguma além do voto. E muita seriedade, muito trabalho, muita competência e equilíbrio, muito interesse e cuidados com o Brasil. Somente com o Brasil. Nós estamos aqui de passagem.

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