PLANEJAR


Todo administrador sabe que é preciso planejar; o ato do planejamento é intuitivo, consequente de sermos animais dotados de intelecto, atividade pensante inerente à condição humana capaz de conferir sentido, limites, ordem e medida ao mundo em que vivemos, às nossas atividades profissionais e à nossa vida pessoal. Cada administrador aplicado sabe que o planejamento é, em si, um piano desafinado no qual nenhum som de qualidade pode ser produzido se não complementado pelo que constitui sua infraestrutura.

O planejamento típico é estratégico, fixa metas, estabelece prioridades e delineia a operacionalidade sistêmica num universo de fatos, abrangente, não atido a parte, apenas, majoritária seja ela, da atividade planejada; ocupar-se de fatos isolados ou grupamentos de fatos afins não é somente um modo de enganar os outros, é, sobretudo, a mais hábil e ilusória forma de enganarmo- nos a nós mesmos. De todo modo, o planejamento estratégico é, embora importante, um componente, um compartimento da função operacional.

O planejamento estratégico pode converter-se em peça inercial; apenas viabiliza-se dinamicamente quando não se subordina ao desenvolvimento natural das várias linhas executivas, que têm suas próprias regras, fixadas pelas exigências técnicas ou funcionais das atividades-meio. Ele tem de ser complementado pelo planejamento tático, peça fundamental definidora das formas de ação, seu grau, sua natureza e caminhos pelos quais devem correr os elementos estratégicos para alcançar os fins últimos de sua formulação, as grandes metas do planejamento.

Resta a peça essencial, o planejamento normativo, que fixa as bases de toda a ação consequente e consciente de planejar, traçando e revelando seu caráter, o grau de moralidade e a natureza ética das medidas a serem implementadas, que devem ser enfatizadas quando se trate de empreendimentos públicos, setoriais ou nacionais, no qual devem ser definidos os aspectos fulcrais dos melhores interesses federados e da Federação, afastados 'ab initio' quaisquer laivos de externalidade, pretensões indevidas e não recepcionáveis de fazer prevalecer interesses estranhos à unidade, independência e soberania do ente público nacional, ao fim e ao cabo de todas as contas muito fáceis de distinguir.

Tudo o que representa transferência ou alienação de recursos de qualquer natureza é mau; tudo o que compreender conservação de recursos de qualquer natureza é bom, não se havendo de falar em deficiência momentânea de meios para explorá-los. Um país, cujas riquezas naturais, de solo e subsolo, se devem conjugar com os seus recursos humanos, tem de ser planejado para a perpetuação. As futuras gerações precisarão das riquezas que por definição lhes pertencem, sendo rigorosamente necessário preserva-las; a nossa gente vindoura criará os meios e as formas de explorá-las. Nós, hoje, não sabemos tanto quanto pretendemos fazer crer sabermos; cada geração que chegar será melhor, como já ocorre, do que cada geração que se for. E, lá para longe, o país é muito mais dos brasileiros que estão vindo por aí do que dos brasileiros que já estamos por aqui. O que temos de fazer é bem administrar os recursos existentes, não aliena-los. Conserva-los. Para eles. Verdades não se criam, verdades se revelam. Elas são o que são.

O planejamento serve aos melhores fins a reboque das ideias em que se deve fundar, com a burocracia apenas necessária e todo o humanismo possível aliado ao sentimento nacional de dignidade e honra. Chega de falar e pensar violência, risquemos-la do dia a dia do país, deixemos-la para os órgãos que com ela têm de se preocupar e cobremos a substituição daqueles que não quiserem, não puderem ou não souberem cumprir os encargos de suas funções. A violência no país converteu-se em ideologia, não é ponto de partida para nada; vendida como solução, é, na verdade, possibilidade abstrata, sem nenhuma base de ação com vistas aos problemas gerais, ademais de ser consequência de lamentável vazio psíquico, moral e, de certo modo, espiritual estimulado pela cadeia de informações para promover o fracionamento das ideias, do pensamento, criando-nos violência para criar-nos impulsos no sentido da realização daquilo que nos tem sido subliminarmente incutido. A finalidade da ideologia é confrontar as ideias, destruí-las e a tudo o que têm de mais humano e concreto. Não é um fenômeno desinteressado. Pode-se planejar concretamente as ideias para o bem, difícil, contudo, planejar ideologias no mesmo sentido. Qualquer realização genuinamente humana necessita de possibilidades reais resultantes da existência de razões válidas, morais e éticas, que, inexistentes, provocam o radicalismo destrutivo que divide e infelicita. De outro modo, não se pode, validamente, planejar com base em premissas que não existem ou fatores sociais e econômicos indemonstráveis.

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