QUEM SAI AOS SEUS NÃO DEGENERA

Na fase final da viagem do Beagle, de regresso à Inglaterra depois de quase cinco anos, em 1836, Charles Darwin passou 93 (noventa e três) dias no Rio de Janeiro, de onde se despediu aliviado. Em suas próprias palavras, um país de florestas luxuriantes, o Brasil, vítima de uma burocracia paralisante, abrigava um povo detestável; segundo sua experiência pessoal, qualquer brasileiro podia ser comprado. A necessidade de licença oficial para visitar as florestas locais colocou-o em contato direto com a burocracia e com todos quanto, de algum modo, estavam envolvidos na concessão da autorização e na sua operacionalização.

Vivia-se, então, o começo do segundo reinado, só encerrado 53 anos depois com uma República que não iniciou a profilaxia dos hábitos e costumes da Lusitânia que contaminaram todas as Terras por onde passaram os navegadores de El-Rei, e os chegados depois deles, deixando como rastro um legado de analfabetismo, incultura, desinteresse nacional, arrogância oficial, soberba, elitismo e violência temperados com corrupção orgânica e endêmica, e incontrolável vocação para viver às custas do Estado.

Para os amigos, todas as benesses, para os inimigos, a lei, para a população em geral o mínimo, nada, quando protestos não se faziam ouvir, foi o princípio prevalecente. E aconteceu do povo brasileiro, entre outras coisas, não ter aprendido a protestar, acostumara-se com migalhas; meteram-lhe na cabeça, como instrumento de domínio, que reclamar é feio, não é coisa de bom cidadão. Havia sempre preparado e à mão um discurso sobre humildade, que, é claro, nada tinha a ver com a elite e seus apaniguados. E quando, mesmo assim, surgiam os que protestavam, reclamavam, a violência institucional, policial, moral, social e de costumes entrava em ação. Foi nesse clima que medraram os Tios Thomas tupiniquins, os louvaminheiros, os maria-vai-com-as-outras, os súditos da Pasárgada virtual que só querem, visando as benesses possíveis e especialmente poder, embora não raro ilusório, ser amigos do rei, para tal prestando-se a indignidades. Temos tido exemplos recentes dessa prática, que, recentíssimamente, poucos dias decorridos, alcançou momento culminante.

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