AOS TIOS THOMAS, COM AVERSÃO

CONCORDO SEJAM MOMENTOS DE DESCONFORTO, MAS ÉS

GRANDIOSA E O MEU AMOR POR TI, INESGOTÁVEL, ME FORTALECE.

Esta é uma história que o titular do blog tem para contar a quem acha que a escravidão fez bem aos negros. O requisito essencial para tornar-se um Tio Thomas nada tem a ver com a pele negra, simples detalhe da natureza; para tanto, o que conta é a alma, de lacaio.

Ele, o titular do blog, é oriundo de família de uma espécie de aristocracia rural da região onde nasceu. O patriarca estabeleceu-se como Fazendeiro na Serra dos Tardin em meados do século XIX, formando-se a partir dele o ramo local dos Nunes. Da infância à adolescência passava suas férias escolares especialmente na fazenda do padrinho e tio-avô, Pedro “Tote” Nunes. A despeito de hospedado na várzea, gostava de passear na Fazenda de outro tio-avô, Mário Nunes, no alto da Serra. Certo dia, perambulando pelo lugar, deparou-se com uma construção isolada, cuja porta estava meio que travada; forçou-a e entrou. Um frio súbito e um forte arrepio estremeceram-lhe o corpo. Correntes com pulseiras metálicas pendiam do teto, a um canto duas poltronas rústicas ladeando uma mesa baixa de madeira lavrada a enxó como único mobiliário. No piso, um longo tronco de madeira lavrada e rústica tinha argolas metálicas assentadas com grossos pinos de ferro, no canto oposto ao do mobiliário um grande e sólido armário de madeira com uma pesada fechadura de ferro a guarnecer suas portas trancadas; tentou abri-las, nem se mexeram. De repente, poude quase perceber vultos, corpos negros, resvalando pelo aposento, fisionomias angustiadas em rostos sofridos de homens negros presos ao tronco, às correntes pendentes do teto, gemidos. Não havia sequer arremedos de sanitários, pias, vestígios de canos, então já existentes, de cobre ou ferro. Sem poder verificar o que estava no grande armário trancado, imaginou-o: Chicotes, correntes, instrumentos de tortura. Saiu, fechando a porta com cuidado. Quando voltou das férias perguntou à mãe o que era exatamente aquilo. Era a Casa do Tronco, respondeu-lhe. Ela era afilhada do “Vô Elias”. Nunca comentei o assunto com ninguém.

Os Tios Thomas dos nossos tempos deveriam ver aquilo, como a escravidão fez bem aos negros em sua vassala visão. E o nosso patriarca era considerado um homem ilustre, temente a Deus e muito generoso; amava as coisas da França e, segundo minha mãe, seu livro de cabeceira era Voyages, de Joseph, Conde de Laborde, arqueólogo francês. Perguntei-lhe se ele falava e/ou lia o Francês. Ela me disse que não sabia, que ele tinha lá seus mistérios, coisas que sabia-se fazer parte de sua vida, mas sobre as quais não falava.

E tem a história do Lavradio, no Rio de Janeiro, já contada aqui no blog. Se vocês não a encontrarem, na próxima semana republico-a.

Que esquisito foi o bem feito pela escravidão aos negros, coisa de Tios Thomas!

Mas, vem cá, será que todo mundo sabe direitinho o significado da palavra dignidade?

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