SARAMAGO E A INTIMIDADE

José Saramago, na introdução a O Memorial do Convento, pelo menos na versão italiana que li e tenho em casa, falou de um sujeito que ia sendo coercitivamente levado quando um conhecido, de passagem, perguntou-lhe para aonde estava indo, ao que respondeu:

— Não sou eu que estou indo, são eles que estão me levando.

Se alguém me perguntasse por que prefiro assistir televisão no computador, desde que por isso eu optasse, eu seguramente responderia, em paralelo com o personagem de Saramago:

— Não sou eu quem prefere, são eles que não desativam a gambiarra.

Trata-se da intimidade que a Constituição Federal nos assegura a todos.

Somente a mim cabe decidir com quem quero partilha-la.

Usamos amarelo, somos democratas, mas há “democratas” por aí fazendo coisas do tipo que tanto criticamos nos fascistas.

Ou, no fundo, no fundo, não somos tão democratas assim, tudo não passando de mera questão de circunstâncias?

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