AS ELEIÇÕES CONGRESSUAIS E SEUS EFEITOS

PRECISAMOS REESCREVER A NOSSA HISTÓRIA


Antes, Um Pouco de Amor, foi originariamente publicado aqui no blog em 29 de Agosto de 2017. Apareceu, ligeiramente revisto, no começo desta semana no Facebook com vistas ao Artigo de hoje. E foi por ambas as razões que, também no começo da semana, acessou-se o noticiário das 19 horas, “informalmente oficial”, acessou-se o noticiário das 19:20 após encerrada a emissão das 19 horas, e acessou-se também o noticiário das 21 horas, um rico informativo magistralmente comentado. O noticiário das 20:30 é hors-concours.


A Natureza colocou-nos uma cabeça entre as duas orelhas não apenas para separá-las. Usemo-la, pois; não se pode ficar esperando que a mídia vá buscar a notícia, dê-lhe, olimpicamente, o tratamento mais adequado, embale-a em formatos luxuosos e elegantes, selecione senhoras também elegantes, profissionais e competentes, comentaristas do mais alto calibre e a traga para nós, a tempo e a modo, do jeito que se quer. Ouça tudo o que puder, separe tudo o que ouvir por matéria, tabule os dados importantes, analise pessoalmente e com cuidado todo o material e forme a sua própria perspectiva dos fatos diários. Em suma, não espere nada de graça. Se você não o fizer, irá receber o que exige, mas não se queixe depois que foi enganado. Ou você pensa que é um seu privilégio exclusivo ter propósitos na vida? A mídia também os tem, e só semeia em seara fértil. O seus veículos são caros, muitas vezes de extrema criatividade e beleza, e alguém tem de pagar por eles.


E ainda a propósito do início da semana, o tema foi a eleição dos presidentes da Câmara e do Senado e a festa nunca vista em sua celebração, mais que surreal, foi um oba-oba no melhor estilo La dolce vita, Felini em pauta.Por isso se assiste no mesmo dia a mais de um noticiário, somos humanos, falíveis. Teríamos visto senhoras descalças, copos, garrafas circulando no solene espaço público? O quê, afinal de contas, estava sendo festejado?


Bom, nem sempre se alcança o sentido exato de certas manifestações, mas, de qualquer modo, tenta-se entendê-las. Havia uma queixa, a presidência da Câmara não pautava isso ou aquilo, o Senado era, senão hostil, refratário. O que, então, se celebrava felinescamente era a libertação. Auguri! Agora o Brasil poderá ser governado, teremos uma agenda econômica, projetos, planos, reformas, essas eleições no Congresso (não no Parlamento, que não o temos, somos uma República de regime presidencialista) foram redentoras. Amém!

E, bons brasileiros que somos, apressamo-nos com as nossas contribuições. São matérias tratadas aqui no blog ao longo de anos, somos parcimoniosos, só queremos ajudar. E Tem mais, muito mais.

Um Estado não inserido na ordem mundial jamais poderá aspirar a desenvolver-se no ritmo de suas capacidades, a serem concebidas e ordenadas para o fim de fazê-lo protagonista, não coadjuvante ou mero figurante no concerto das nações; um país intolerante e isolado economicamente no mais amplo sentido em suas práticas e concepções jamais exibirá índices sustentados de desenvolvimento. A ordem mundial não abona atitudes ou comportamentos discriminatórios filosóficos, econômicos,sociais. Cada povo tem o direito de decidir como quer ser governado e por quem quer ser liderado. O condão do diálogo e a postura adequada na administração das diferenças definem as verdadeiras lideranças. Administrar os absolutos é delírio ditatorial, fácil, basta a força e o desprezo pela ordem democrática, pelo ser humano.


Crescimento econômico é uma figura não-abstrata que começa pela educação, desdobra-se na capacidade de compreensão do próprio status e projeta-se na identidade coletiva posicionada no sentido de realização individual de caráter nacional e imperativo lógico: Eu sou o que faço do meu país e todos de nós o queremos grande e feliz por querermos ser grandes e felizes.


Faça você mesmo, grosso modo, um pequeno exercício, e verifique pessoalmente como anda a Economia e o quanto de verdade há no que lhe estão dizendo o rádio, a televisão e os jornais. Pegue o PIB dos últimos 25 (vinte e cinco) anos, ano a ano, e divida pela população do país no período. Você vai encontrar, repito, grosso modo, o PIB per capita. Converta-o em dólares americanos com as correções necessárias do seu excesso especulativo. Depois considere o aumento populacional ano a ano e compare o seu percentual de aumento com a variação positiva ou negativa do PIB; estabeleça em seguida o PIB per capita do período, depurado de suas deformações. O seu insight tangenciará o grau de eficiência do governo e a contribuição dos empresários para a saúde econômica do país. Nesse ponto, distribua ao longo dos 25 (vinte e cinco) anos considerados as Administrações federais, os governos. Tabule o período de cada Administração por coluna e compare. Você terá aí uma rica fonte de informações, inclusive quanto às Administrações mais eficientes e que melhor atenderam às exigências do crescimento populacional. É sumamente importante determinar as mudanças econômicas estruturais no período, especialmente a transferência da produção agrícola para a não-agrícola, ou seja, como se desenvolveu o processo de industrialização do país, considerada a distribuição da população entre o campo e a cidade e a distribuição da renda traduzida no acesso aos bens e serviços, notadamente nas mudanças dos números e percentuais de pobreza. O período em que se verifique um padrão estável de crescimento associa-se a mudanças tecnológicas e sociais; nestas, constatar-se-á, por exemplo, em nossa história recente, um padrão estável de crescimento e a estagnação, com desatualização do contexto tecnológico, apontando para a eficiência da Administração e para a ineficiência do empresariado, vestíbulo da recessão e da regressão econômica.


Não há remédio caseiro para esse tipo de problema; o país tem de tornar-se parte do sistema internacional, reordenando e aprofundando suas ligações com a mecânica econômica externa, com a economia mundial. A abertura necessária compreende também a abertura de um canal estável de comunicação com o exterior, além de toda forma de atuação no cenário mundial, congressos, conferências, eventos midiáticos e troca de informações diplomáticas e econômicas, respeitadas, naturalmente, as regras de segurança de cada país. É preciso estar sempre pronto a negociar, não ceder, mas negociar, colocando em posição de destaque os interesses brasileiros e considerando na devida conta os interesses dos países interlocutores sem transigir com o essencial. Já não estamos no tempo dos heróis, que nunca nos fizeram bem. O trabalho a ser desenvolvido é demasiado importante para ser subtraído à diplomacia profissional e funcional, a diplomacia realista que define meios e objetivos factíveis no plano internacional sem perder de vista os objetivos, que se definirão pelas necessidades de médio e longo prazo do país, de forma a sustentar desenvolvimento estável e duradouro. A diplomacia econômica tem papel fundamental nesse quadro; ajustes internos são arranjos para contadores e políticos.


Democracia e direitos humanos são pressupostos essenciais, antecedentes necessários do modelo traçado em nossa Constituição. Temos de avançar para objetivos internos que desmontem nossa velha ordem doméstica, a ordem do colonizador estabelecida em quase quatrocentos anos de domínio externo, continuada após a independência pela sobrevivência de hábitos, costumes e práticas, formalmente extinta em 1988, mas com sobrevida informal, paralela e inconformada com o fim do seu poder de decidir sobre os destinos do país, desarrumando-o quando contrariados os seus desígnios, grupos de decisão e detentores de mecanismos que modificam sua estrutura ao sabor de interesses nem sempre acordes os interesses nacionais e consoante as normas constitucionais e legais. O que temos no Brasil é uma prática de séculos não compreendida nos limites dos controles oficiais, somos o que grupos de poder querem que sejamos, não o que convém a um grande país com espectro de potência, mas realidades assustadoras. Até aqui temos sido um grande pequeno país capaz de produção intensiva de alimentos e minerais para exportação, para consumo externo. Só.


Precisamos de um parque industrial que atenda a nossa realidade necessária. Medir a eficiência de nossa capacidade industrial instalada é enganador, nada significa além da medição das nossas insuficiências industriais, da nossa capacidade de produzir insuficientemente itens de baixa qualidade que nos custam caro. Temos um parque industrial secundário de declinante participação percentual em um PIB ridículo para as nossas potencialidades, travado quando ameaça subir, colocar a cabeça de fora. Precisamos de iniciativas pessoais produtivas, de cidadãos voltados aos interesses cruciais do país; precisamos de resultados, não de doutrinas e digressões acadêmicas estéreis, necessitamos estabelecer um modo cooperativo de vida que projete o Brasil na direção da ordem mundial, preservados os nossos valores, e fixar nossas metas estratégicas. Precisamos todos administrar o nosso desenvolvimento e direcionar tudo o que fizermos no sentido da definição do nosso papel no mundo. Precisamos sepultar bem fundo o que herdamos da colonização, que não é pouco nem inofensivo, e reescrever a nossa história nos termos do Brasil e dos brasileiros.

Publicado anteriormente —Revisto

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