LIVRO III - A TERRA E A SUBSTANTIVAÇÃO DA VIDA

Tudo, rigorosamente tudo na Criação feita Evolução, inclusive você e o que lhe concerne,

é produto de interminável sucessão de causa e efeito,

não importa o quanto remota a causa.

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Foi há cinco bilhões de anos. Restos superaquecidos de estrelas dilaceradas por potentes explosões vagaram errantes espaço afora em meio a nuvens de poeira e gases interestelares, navegando ao acaso dos elementos liberados na explosão da qual surgiu o Universo. Sob a ação de forças provocadas pelas ondas de choque resultantes das repetidas explosões, gases e poeira cósmica foram a pouco e pouco se agregando, e aderindo, até constituírem um complexo formado de hidrogênio à quase totalidade, continuamente espessado ao longo de milhões de anos até converter-se em densa nebulosa. Empurrados para o centro, os átomos dos gases em processo de compactação intensificaram a pressão sobre o núcleo rochoso da nebulosa até incendiá-lo, acelerando, sob excepcional calor, a troca de grávitons entre as partículas, gerando uma poderosa força gravitacional que passou a atrair a massa gasosa das regiões próximas, além de tudo o quanto pôde alcançar no espaço circundante.


Sobras da voracidade gravitacional, não absorvidas, como compostos de ferro, nitrogênio e carbono, somadas a extensa gama de materiais, formaram uma corrente, cujos componentes, aquecidos a extremo, dispararam, girando a altíssima velocidade em torno da nebulosa mais rápido do que ela, não sendo, por isso, absorvida.


Foi há 500 milhões de anos. O extraordinariamente aquecido núcleo rochoso da nebulosa — que seria o nosso Sol — tornou-se uma estrela de média grandeza constituída basicamente de nitrogênio, hidrogênio e carbono; a corrente a circunda-la, estendida por milhões de quilômetros, formou a atmosfera da nova estrela envolta ainda pela nebulosa, que, saturada de energia e sob intenso calor, descompactou-se e colapsou, dispersando seus fragmentos pelas regiões próximas, ainda sob o o efeito do seu enorme poder gravitacional. Densos, com campos gravitacionais próprios, os fragmentos maiores iniciaram um processo de atração das suas contrapartes menores, crescendo em tamanho, densidade e poder de atração. Estavam surgindo novos corpos siderais, os planetesimais.

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PLANETESIMAIS

Corpos sólidos de dimensões variadas formados pelo

agrupamento de fragmentos da nebulosa protossolar

colapsada, assimetricamente estruturados em virtude

dos desvãos resultantes da incorporação de porções

menores de formato irregular.

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Alguns, maiores, de média e alta rotação, constituídos basicamente de gás, não exerceram sobre os seus pequenos núcleos rochosos pressão suficiente para produzir calor que os incandescesse; assim, permaneceram frios, não se fizeram estrelas, nasceram astros mortos. Os menores, adensando-se, aumentaram com o incremento de massa o poder gravitacional; de baixa rotação, formados em parte maior por material rochoso, seguraram pouco hélio e hidrogênio, em alguns casos apenas um deles. Seus grandes núcleos rochosos, submetidos a alta razão de compressão pelo permanente ajuste dos seus espaços vazios, produziram extraordinário calor, provocando a desintegração dos seus átomos radioativos, fazendo-os irradiar energia ao gravitar em órbita errante ao redor do jovem Sol, atraindo rocha líquida e grãos de ferro da abrasadora atmosfera solar, gases e poeira interestelar, materiais de baixa densidade e alta temperatura, além de despojos superaquecidos de estrelas de primeira geração recém-laceradas. Eram nessa fase absurdas fornalhas de superfícies pastosas infernalmente quentes. Expandidos pela incorporação do lixo sideral, chocando-se em função de suas órbitas desordenadas, os planetesimais começaram a fundir-se pela aderência de suas superfícies pastosas que funcionaram como argamassa, incorporando-os para formar gigantescos corpos celestes. Não mais planetesimais, com massa e poder gravitacional ampliados, esfriaram à medida do esfriamento de suas superfícies, perdendo a viscosidade e a capacidade de se amalgamarem ou agregarem matéria dispersa no espaço. Aumentando de tamanho, o calor distribuiu-se por área maior, reduzindo-lhes por inteiro a temperatura; mais e mais resfriados, começaram a contrair-se a partir da superfície, empurrando as camadas abaixo dela para o centro violentamente quente. Aproximando-se dos núcleos, esses materiais dissolviam-se com as rochas interiores, aumentando acentuadamente o volume de magma e ampliando os braseiros nos quais os já planetas se consumiam, provocando crescente liberação de energia e iniciando um longo ciclo: Maior queima de materiais, maior produção de magma e energia; mais energia, mais calor e ampliação da queima de materiais, resultando maior produção de magma, que lhes saturou os núcleos, cujas paredes não suportaram a alta pressão resultante, fendendo-se; pelas fendas, irromperam das profundezas torrentes de material ígneo acompanhadas de elementos leves, entre eles nitrogênio, metano, amônia e um vapor aquoso de alto valor sulfúreo. Ao chegar à superfície ainda quente, mas de temperatura infinitamente inferior à sua, o magma resfriava à medida que se derramava; acumulando-se, constituiu as formações vulcânicas.


Foi há quatro e meio bilhões de anos. O Sol, uma gigantesca usina termonuclear, irradia cerca de 8.600 bilhões de bilhões de calorias por segundo, perdendo a cada um desse átimo de tempo o peso de quatro milhões de toneladas. A despeito da contínua perda de massa, o astro conserva num sistema de órbitas elípticas, atado à sua força gravitacional, o conjunto de planetas surgidos da evolução dos planetesimais, entre eles a Terra, com os seus vazios estruturais, inóspita e muito quente no início, sem condições para abrigar a vida materializada, como depois ocorreu. Despojada, velada apenas por uma tênue cortina de gases, não tinha proteção eficaz no quentíssimo Universo primitivo; era um campo de intensa energia ampliado pela intensa atividade em seu núcleo, desproporcionalmente grande para o seu tamanho. Pudesse em tal fase ser observada in situ, seria certamente ouvida a sibilação do desbragado cruzamento de ondas de alta energia sobre a sua abrasada superfície. A permanente expansão do Universo, no entanto, arrefecendo gradualmente a temperatura sideral, provocava o paulatino resfriamento do planeta. Decorridos aproximados 700 milhões de anos, com temperatura média em torno dos 100°C, […] [...]


Extrato de A Conspiração dos Medíocres,

Livro III, A Terra e a Substantivação da Vida,

em revisão para publicação nos próximos meses.

Este trecho, assim como trechos de todos os livros

de A Conspiração, inclusive de O Reencontro (Marie-Anne

e Jean-Philipe) será publicado proximamente em Deus, Um

Alvo – Quem foi o Outro?

©Onair Nunes da Silva. Vedado o seu armazenamento

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