QUEM ESTARÁ GANHANDO COM ISSO

Publicado originalmente em 04 de Setembro de 2017


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Doze milhões de desempregados em uma força de trabalho de pouco mais de cem milhões de trabalhadores não é assunto para o longo prazo ou algo para o que se deva esperar uma solução ocasional.

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Como disse Eric S. Raymond, ferrenho defensor do código fonte aberto para sistemas operacionais de computação: Muitos olhos fazem todos os bugs emergirem. Bug é a falha no código de um aplicativo que provoca seu mau funcionamento.


O Brasil está com um baita bug no seu aplicativo Administração. 1 (um) ano decorrido do impeachment, estamos pior no sentido macro, o que de fato importa. Só para exemplificar, infraestrutura é conceitualmente macro, regulação de mercados, disciplinamento da produção por meio de um plano industrial e ordenação econômica também, acrescendo-se entre os mais cruciais exemplos os sistemas federais de saúde e social. O varejo deve operar na forma das regulações macro por intermédio dos seus agentes. E como não temos um planejamento macro realista, o varejo marcha por conta própria. Ou por conta de interesses. Ou da propaganda.


Uma rápida vista d'olhos:


Melhora na taxa de desemprego? Alguns veículos amigos esqueceram-se de alertar que não se trata exatamente de melhora na taxa de desemprego e para o fato de que duas em cada três pessoas de volta à atividade remunerada o foram na informalidade, que não é emprego, mas subemprego, ou por iniciativa pessoal marcada caracteristicamen-te na conjuntura atual pela subcapitalização ou baseada no capital humano, que, isola-damente, extremamente frágil, vive da mão para a boca, dependendo do faturamento diário para sobreviver, para atender suas despesas operacionais, o básico. Um fraco dia de faturamento preocupa, uma fraca semana abala, um fraco mês de faturamento abre um rombo de conserto problemático. Claro que algumas dessas iniciativas vão bem, conseguem até crescer circunstancialmente num ambiente amadorístico premido pela fúria fiscal, mas não estamos falando de valores pessoais ou nichos de mercado, estamos falando de atividade econômica num país com mais de 200 (duzentos) milhões de habitantes que não há muito foi a sétima Economia do planeta. A maioria desses pequenos empreendimentos heróicos segue em frente até onde dá para seguir, mesmo aos tropeços, porque os seus titulares não têm alternativa, são os trancos e barrancos ou nada; se ficar o bicho pega, se correr o bicho come, mas é melhor correr do que ficar esperando o chão desaparecer sob os pés e sofrer a frustração de não haver pelo menos tentado fazer alguma coisa, qualquer coisa face à ineficiência governamental nos cuidados com a população, criar empregos de fato e não se jactar, propagandeando iniciativas pessoais de quem se desesperou por sobrevivência como se fora mérito oficial. Correr do fantasma do desemprego, mesmo sob risco, não raro e ‘noves fora’, rende as dívidas resultantes da atividade empresarial micro e “micríssima” avinagrada, mas, fazer o quê? Apenas 1/3(um terço) do contingente fênix ressurgiu para o emprego com carteira assinada.


Pessimismo, divisionismo? Não! É preciso parar de desinformar o respeitável público.


Na raiz de todos os problemas, a Educação. Deveria ser instituído o dia nacional do desmanche, porque ao desmanchar a educação a resultante fatal é mera questão de tempo, alentado alargamento da base da pirâmide, já desproporcional, o caos, o elitismo em seu grau mais perverso, um apartheid tropical e mulato. Quando propuse-ram os absurdos aprovados e escreveu-se sobre eles, um senhor de gravata amarela, performático, defendeu-os com deboche; um outro cavalheiro, veemente, acusou certos ‘elementos’ de escreverem mentiras para prejudicar o governo, que a Educação jamais seria atingida. Perguntemos-lhes se estão sendo alcançados pela inominável crueldade do desemprego combinado com a paralisia das Universidades Públicas. Quantos jovens ficarão sem os estudos universitários?


Até 1 (um) ano atrás tinham-se dificuldades no Brasil, mas não se davam de presente riquezas do nosso subsolo, cuja exploração selvagem, de quebra, atingirá o meio ambiente — e atingir o meio ambiente é pecado capital, um pecadaço —, as gentes locais e ameaçará a integridade territorial do país.

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